
meu corpo não sente mais prazer. de tudo já tentei, visitei todos os sites pornográficos e gastei minha imaginação mais insana com pessoas semi analfabetas, falando sobre o sexo de forma explicita e crua. mas amor eu desconheço, aquele que enche o peito e seca os lábios. andei por ruas desconhecidas procurando algo que me fizesse sentir vivo, em vão. minha cabeça pendendo à loucura. minha lucidez era duvidosa, minhas olheiras de noites em claro entregavam minha sanidade. quem me via, deparava-se com um cigarro entre meus lábios, era minha arma, mas eu não sabia usá-la. pensei em morte instantânea, mas apesar de cético, suicídio era um absurdo. Passei a ser apenas um corpo perambulando pelos caminhos mais desertos da existência humana, onde sonhos não brotam e esperanças vegetam, de pouco em pouco perdendo forças e essência. Eu estava morto e assistia no espelho de um quarto vazio minha alma esvaindo, buscando a graça e luz de um lugar que, como eu, não existe.
AJ Lemos.